Sexta, 10 de Abril de 2026
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Endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres e está entre as principais causas de infertilidade

Doença inflamatória crônica pode levar até 10 anos para ser diagnosticada e já afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo

16/03/2026 11h02
Por: Redação
Endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres e está entre as principais causas de infertilidade

A Endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva e também uma das principais causas de infertilidade feminina. Estimativas apontam que a condição atinge cerca de 10% das mulheres no mundo, o equivalente a 190 milhões de pessoas, sendo aproximadamente 7 milhões no Brasil.

Caracterizada por um processo inflamatório crônico, a doença provoca dores intensas e pode levar anos até ser diagnosticada. Dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos relacionados à endometriose no Sistema Único de Saúde registraram aumento de 76,2% nos últimos três anos.

Além do impacto físico, a condição também interfere diretamente na fertilidade e na qualidade de vida das pacientes.

Diagnóstico da endometriose pode levar até 10 anos

Segundo a ginecologista Gabriela Freitas, da Clínica Vittá, o diagnóstico da Endometriose costuma ocorrer entre sete e dez anos após o início dos sintomas.

De acordo com a especialista, um dos motivos para essa demora é a percepção cultural de que a dor menstrual intensa é algo normal.

“Muitas mulheres passam anos ouvindo que cólica forte faz parte do ciclo menstrual. Isso faz com que elas demorem a procurar atendimento ou a serem encaminhadas para investigação adequada”, explica.

Para ampliar a conscientização sobre o problema, campanhas de saúde pública têm buscado chamar a atenção da população para os sinais da doença.

Campanha Março Amarelo alerta para diagnóstico precoce

Uma das principais iniciativas de conscientização é o Março Amarelo, campanha internacional dedicada a alertar sobre os sintomas, incentivar o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento da Endometriose.

No Brasil, a mobilização ganhou reforço com a criação do Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, celebrado em 13 de março, instituído pela Lei nº 14.324, sancionada em 2022.

A falta de diagnóstico e tratamento adequados pode levar à progressão da doença, com agravamento das dores e comprometimento de órgãos próximos ao útero, além de impactos na saúde mental das pacientes.

Sintomas da endometriose incluem dor intensa e desconforto durante relações

Entre os principais sinais de alerta da Endometriose estão:

  • cólicas menstruais intensas e progressivas

  • dor durante as relações sexuais (dispareunia)

  • dor ou desconforto para evacuar ou urinar durante o período menstrual

Mesmo com esses sintomas, muitos exames ginecológicos de rotina podem apresentar resultados considerados normais.

Segundo a médica, isso ocorre porque o ultrassom transvaginal tradicional nem sempre é direcionado para investigar a doença. Para um diagnóstico mais preciso, podem ser indicados exames específicos, como ultrassom com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve, que permite avaliar a extensão das lesões.

Em alguns casos, a confirmação pode ocorrer por meio de laparoscopia com biópsia, embora atualmente muitos diagnósticos sejam definidos a partir da combinação entre exames de imagem e avaliação clínica.

Endometriose pode dificultar a gravidez

Um dos maiores receios das pacientes diagnosticadas com Endometriose é a possibilidade de infertilidade.

A doença pode interferir na fertilidade por diferentes fatores, como processos inflamatórios na pelve, alterações nas trompas e ovários, formação de aderências e impacto na qualidade dos óvulos.

Mesmo assim, especialistas apontam que a gravidez natural ainda é possível em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico ocorre de forma precoce e o tratamento adequado é iniciado.

Tratamentos incluem cirurgia, hormônios e reprodução assistida

O tratamento da Endometriose varia conforme a gravidade do quadro e os objetivos da paciente.

Entre as opções estão:

  • Videolaparoscopia, cirurgia minimamente invasiva que remove focos da doença e aderências

  • Tratamentos hormonais, utilizados para reduzir a atividade inflamatória

  • Indução da ovulação e inseminação artificial em casos específicos

  • Fertilização in Vitro (FIV), considerada uma das técnicas mais eficazes para mulheres com dificuldade para engravidar

Segundo especialistas, a cirurgia não é necessária em todos os casos e costuma ser indicada principalmente quando há dor intensa, comprometimento de órgãos ou infertilidade associada.

Causas da endometriose ainda são investigadas

A causa exata da Endometriose ainda não é totalmente conhecida, mas especialistas apontam que a doença tem origem multifatorial, envolvendo fatores hormonais, genéticos e imunológicos.

Uma das hipóteses mais aceitas é a chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal.

Entre os fatores que podem aumentar o risco da doença estão:

  • primeira menstruação antes dos 12 anos

  • ciclos menstruais curtos

  • fluxo menstrual intenso e prolongado

  • menopausa tardia

  • histórico familiar da doença

  • nunca ter engravidado

Especialistas também destacam que o acompanhamento multidisciplinar tem ganhado espaço no cuidado das pacientes, com abordagens que incluem nutrição, fisioterapia pélvica e outras estratégias para controle da dor e melhora da qualidade de vida.

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