Que o preço do livro influencia no consumo, você já sabe. Inclusive, falamos disso no primeiro texto da coluna. A mesma pesquisa feita pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Nielsen BookData, que apontou o crescimento no número de consumidores de livros no Brasil em 2025, também mostrou que 35% das pessoas não compram livros por conta dos altos preços e por não os considerarem acessíveis.
Sempre falamos que a leitura deve ser incentivada desde a infância, em casa e na escola. Mas, em um país onde o salário mínimo é de R$ 1.621,00 e o preço médio dos livros varia entre R$ 51,00 e R$ 54,00, ler se torna quase um hobby de luxo no Brasil. As justificativas do setor editorial incluem a inflação, os desafios na cadeia de produção, o aumento da pirataria e a preferência de parte dos leitores por e-books em vez de livros físicos.
Depois da divulgação da pesquisa da CBL, e pode ser coincidência ou não, o Governo Federal lançou um aplicativo que promete disponibilizar livros gratuitos para a população. O MEC Livros é uma biblioteca digital com cerca de 8 mil títulos disponíveis. Entre os autores, estão nomes brasileiros como Clarice Lispector e Ariano Suassuna, além de estrangeiros como José Saramago e Gabriel García Márquez.
Além da leitura online, obras em domínio público podem ser baixadas no formato ePub. O aplicativo está disponível, por enquanto, apenas para Android, mas também pode ser acessado pelo computador, ambos por meio do gov.br. Entre as funcionalidades, estão ajuste de fonte, personalização da leitura, notificações e até o uso de inteligência artificial para tirar dúvidas.
Apesar de a iniciativa ampliar o acesso aos livros para milhões de brasileiros e ajudar professores a incluí-los no planejamento das aulas, já existem críticas, principalmente em relação à falta de recursos de acessibilidade, como a ausência de audiodescrição. Por ser uma plataforma recente, a colunista que aqui vos escreve acredita que esse é um ponto que pode, e deve, ser ajustado com prioridade.
Para além disso, fica a expectativa de que a iniciativa não seja pontual, que o acervo seja constantemente atualizado e que o projeto tenha continuidade, independentemente de mudanças de governo.
No fim das contas, ampliar o acesso à leitura não pode ser um movimento temporário, precisa ser compromisso.
Ih, opinei!
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