A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, segue como uma das doenças crônicas mais comuns e perigosas do país. Silenciosa e muitas vezes sem sintomas aparentes, ela já atinge 29,7% da população adulta brasileira, o equivalente a quase 3 em cada 10 pessoas, segundo dados do Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde divulgado neste ano.
Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial chama atenção para uma condição diretamente ligada a problemas graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais, que muitas vezes só são identificadas em fases mais avançadas.
De acordo com o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, a ausência de sintomas é um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce.
“A hipertensão é um inimigo silencioso. Sua pressão pode ficar alta por muitas décadas e você nunca sentir nada”, afirma.
Segundo o especialista, muitos pacientes descobrem a doença apenas quando já apresentam consequências importantes provocadas por anos de descontrole.
“Nós muitas vezes só identificamos quando a pessoa já apresenta consequências graves de anos de descontrole”, explica.
Além dos impactos no coração e no cérebro, a hipertensão também compromete o funcionamento dos rins. O nefrologista Ciro Bruno Costa, também do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que essa relação é contínua e muitas vezes passa despercebida.
“Os rins e a pressão arterial vivem em uma relação íntima. Quando a pressão sobe e se mantém elevada por meses ou anos, os pequenos vasos que abastecem os rins começam a sofrer”, afirma.
Segundo ele, o processo costuma ser silencioso no início.
“O impacto começa de forma silenciosa. Não há dor, não há sintoma no início. Por isso dizemos que a hipertensão é uma inimiga discreta dos rins.”
Com o tempo, esse dano pode evoluir para doença renal crônica, comprometendo a capacidade de filtragem do organismo.
Mesmo com alta prevalência, a hipertensão ainda enfrenta falhas no diagnóstico, principalmente pela aferição incorreta da pressão arterial.
“O erro mais comum é dar o diagnóstico com base em apenas uma medida”, explica Thiago Marinho.
Ele reforça que o paciente precisa estar em repouso antes da medição e evitar cigarro ou atividade física pouco antes do exame.
Além da avaliação em consultório, exames como o MAPA — monitorização ambulatorial da pressão arterial — ajudam a acompanhar os níveis ao longo de 24 horas e oferecem maior precisão no diagnóstico.
No caso dos rins, exames laboratoriais básicos já podem identificar alterações importantes antes do surgimento de sintomas.
“Creatinina no sangue, taxa de filtração glomerular e exame de urina com pesquisa de proteína são fundamentais”, explica Ciro Bruno Costa.
Segundo ele, a presença de proteína na urina pode indicar comprometimento da função renal e exige acompanhamento.
O especialista orienta que pacientes hipertensos façam exames de sangue e urina pelo menos uma vez por ano.
“Não espere os sintomas aparecerem. Todo paciente hipertenso deveria fazer, pelo menos uma vez ao ano, exames de sangue e de urina”, afirma.
Entre os principais fatores de risco seguem obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e predisposição genética. No entanto, hábitos cada vez mais comuns também têm contribuído para o aumento dos casos.
“Temos visto pacientes cada vez mais jovens com pressão alta, associados ao estresse crônico, privação de sono, consumo de álcool e drogas ilícitas”, afirma Marinho.
O controle da hipertensão envolve mudanças no estilo de vida e, quando necessário, uso de medicamentos prescritos de forma individualizada.
O acompanhamento regular segue como uma das principais formas de evitar complicações e impedir que a doença avance de forma silenciosa.
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