Quando foi que a gente passou a achar que precisa ler livros “cult” em vez de ler por prazer?
Eu sempre amei ler. Minha história com os livros começou lá na infância, mas isso eu te conto outro dia. O que importa é: eu sempre fui da ficção, mais especificamente dos romances contemporâneos.
Dos “água com açúcar”. Dos clichês. E, às vezes, dos nem tão clichês assim. E aqui vai uma confissão: os clássicos, aqueles que aparecem nas listas da escola, nunca prenderam minha atenção.
O tempo passou, e o meu gosto continuou o mesmo. Quando retomei o hábito da leitura, em 2024, devorei 33 livros. Em 2025, foram 42. Quase todos dentro desse mesmo universo: romances contemporâneos, sempre compartilhados nos meus stories.
Até que começaram os comentários:
“Ah, mas você lê romance? É fácil.”
“Achei que você lia livro de verdade…”
Como se existisse uma régua. Como se a leitura precisasse ser validada. Como se sentir também não exigisse profundidade.
E foi aí que eu comecei a pensar: essas mesmas pessoas sabem que muitos romances contemporâneos falam sobre violência doméstica, maternidade, relações abusivas e recomeços?
E mesmo quando não falam de temas densos, quando são leves, simples e previsíveis, será que isso diminui o valor?
Ou será que a gente desaprendeu a valorizar o prazer?
Porque ler também é isso. É escapar. É se reconhecer. É sentir sem precisar explicar.
E, sinceramente, se um livro te prende, te envolve e te faz viver outras versões de você mesma, isso já é mais do que suficiente.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja o que a gente lê, mas por que começamos a achar que precisamos provar alguma coisa.
Ih, Opinei!
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