Segunda, 08 de Junho de 2026
Geral Pecuária

Proibição de antibióticos na engorda animal acelera mudanças na pecuária brasileira

Nova regra do Ministério da Agricultura pressiona produtores a adotarem modelos mais sustentáveis e amplia busca por alternativas nutricionais no campo

08/05/2026 09h36
Por: Redação
Proibição de antibióticos na engorda animal acelera mudanças na pecuária brasileira

A decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de proibir o uso de antibióticos como melhoradores de desempenho na alimentação animal deve provocar mudanças importantes na pecuária brasileira. A medida afeta diretamente a criação de bovinos, suínos e aves e acompanha uma preocupação global crescente com o avanço da resistência antimicrobiana e seus impactos na saúde humana.

Durante décadas, esses aditivos foram utilizados para acelerar o ganho de peso dos animais e reduzir doenças nos rebanhos. No entanto, o uso contínuo e preventivo passou a ser alvo de debates no setor sanitário internacional, principalmente pelo risco de desenvolvimento de bactérias resistentes aos tratamentos médicos.

Com a nova regulamentação, substâncias consideradas críticas para a medicina humana, como avoparcina, bacitracina e virginiamicina, deixam de ser permitidas para esse tipo de utilização. O governo federal definiu um período de transição de 180 dias para a retirada gradual dos produtos do mercado.

Pecuária terá de rever estratégias de produção

Para especialistas do setor, a decisão acelera uma transformação que já vinha sendo discutida dentro da cadeia produtiva.

Segundo o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o cenário exige uma revisão estrutural dos sistemas de produção animal.

“O uso contínuo de antibióticos como ferramenta de desempenho já vinha sendo questionado há algum tempo. Agora, com a regulamentação, isso deixa de ser uma opção e passa a exigir uma mudança estrutural na forma de produzir”, afirma.

De acordo com ele, parte dos produtores já vinha se antecipando ao novo cenário, investindo em alternativas nutricionais capazes de manter a produtividade sem o uso desses aditivos.

Alternativas nutricionais ganham espaço no setor

Entre as soluções apontadas pelo especialista estão tecnologias voltadas ao equilíbrio ruminal e à saúde intestinal dos animais, como óleos essenciais e taninos.

“Existem tecnologias que permitem manter desempenho sem recorrer a esses ativos. São estratégias que atuam na saúde animal de forma mais sustentável”, explica Fernando.

Ele destaca ainda que alguns sistemas produtivos já abandonaram o uso desses antibióticos há mais de duas décadas, priorizando manejo, nutrição eficiente e qualidade sanitária.

“Esse movimento agora tende a se ampliar com a nova regra”, acrescenta.

Mercado internacional pressiona por práticas mais sustentáveis

Além das questões sanitárias, a mudança também acompanha uma exigência crescente do mercado internacional, especialmente de países e consumidores que buscam produtos de origem animal ligados a práticas mais responsáveis e sustentáveis.

A expectativa do setor é que a restrição acelere a adoção de tecnologias alternativas e amplie o processo de profissionalização da pecuária brasileira.

“O setor passa por uma evolução. A produtividade continua sendo importante, mas cada vez mais associada à qualidade, segurança alimentar e sustentabilidade”, conclui Fernando Carlos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários