A hidrocefalia, condição causada pelo acúmulo de líquido no cérebro, segue entre os diagnósticos neurológicos que mais preocupam famílias, principalmente quando identificada em recém-nascidos. Segundo dados da Secretaria da Saúde da Bahia, a doença afeta cerca de 15 mil pessoas por ano no Brasil.
Em Goiânia, o tratamento por neuroendoscopia começa a ganhar espaço como alternativa menos invasiva. No Hospital Mater Dei Goiânia, o neurocirurgião pediátrico William Andrade tem atuado com a técnica, ainda considerada pouco disponível na capital, especialmente para pacientes infantis.
O procedimento permite acessar o sistema ventricular cerebral por pequenas incisões, reduzindo riscos cirúrgicos, tempo de recuperação e, em alguns casos, evitando a necessidade de implante de válvulas permanentes, tradicionalmente utilizadas no tratamento da hidrocefalia.
Segundo o especialista, o avanço da tecnologia tem mudado a forma de abordagem da doença.
“Hoje conseguimos tratamentos mais seguros e menos agressivos, principalmente em crianças, que exigem um cuidado ainda maior”, destaca o médico.
Um dos casos recentes acompanhados pela equipe envolveu um bebê prematuro que apresentou hemorragia cerebral, quadro considerado relativamente comum em recém-nascidos de alto risco. A complicação evoluiu para hidrocefalia, e a equipe optou inicialmente pela neuroendoscopia como forma de evitar procedimentos mais invasivos logo no início do tratamento.
De acordo com William Andrade, a rapidez no diagnóstico faz diferença direta no prognóstico dos pacientes.
“As hidrocefalias sempre chamam muito a atenção. É importante que as famílias tenham acesso a referências seguras e especializadas para esse tipo de tratamento”, afirma.
Embora muito associada à infância, a hidrocefalia também pode atingir idosos. Dados apontam que o Brasil registra cerca de 50 mil casos de hidrocefalia de pressão normal, condição frequentemente subdiagnosticada e que pode ser confundida com outras doenças neurológicas.
Estudos indicam ainda que esse tipo de hidrocefalia pode representar até 5% dos casos de demência, sendo uma das poucas causas potencialmente reversíveis.
Levantamento publicado pela Revista Neurociências, da UNIFESP, aponta que o Brasil registrou mais de 31 mil mortes relacionadas à hidrocefalia entre os anos de 2000 e 2021, evidenciando a relevância do tema na saúde pública.
O avanço de técnicas minimamente invasivas e a ampliação do acesso à neurocirurgia especializada têm sido apontados por especialistas como fatores importantes para melhorar os resultados clínicos e ampliar a qualidade de vida dos pacientes.
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