Segunda, 08 de Junho de 2026
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Hidrocefalia em bebês: técnica menos invasiva avança em Goiânia e amplia possibilidades de tratamento

Neurocirurgia pediátrica aposta em procedimento por neuroendoscopia para reduzir riscos e acelerar recuperação de crianças com hidrocefalia

08/05/2026 09h40
Por: Redação
Hidrocefalia em bebês: técnica menos invasiva avança em Goiânia e amplia possibilidades de tratamento

A hidrocefalia, condição causada pelo acúmulo de líquido no cérebro, segue entre os diagnósticos neurológicos que mais preocupam famílias, principalmente quando identificada em recém-nascidos. Segundo dados da Secretaria da Saúde da Bahia, a doença afeta cerca de 15 mil pessoas por ano no Brasil.

Em Goiânia, o tratamento por neuroendoscopia começa a ganhar espaço como alternativa menos invasiva. No Hospital Mater Dei Goiânia, o neurocirurgião pediátrico William Andrade tem atuado com a técnica, ainda considerada pouco disponível na capital, especialmente para pacientes infantis.

Neuroendoscopia reduz impacto cirúrgico em bebês

O procedimento permite acessar o sistema ventricular cerebral por pequenas incisões, reduzindo riscos cirúrgicos, tempo de recuperação e, em alguns casos, evitando a necessidade de implante de válvulas permanentes, tradicionalmente utilizadas no tratamento da hidrocefalia.

Segundo o especialista, o avanço da tecnologia tem mudado a forma de abordagem da doença.

“Hoje conseguimos tratamentos mais seguros e menos agressivos, principalmente em crianças, que exigem um cuidado ainda maior”, destaca o médico.

Caso de bebê prematuro reforça importância do diagnóstico precoce

Um dos casos recentes acompanhados pela equipe envolveu um bebê prematuro que apresentou hemorragia cerebral, quadro considerado relativamente comum em recém-nascidos de alto risco. A complicação evoluiu para hidrocefalia, e a equipe optou inicialmente pela neuroendoscopia como forma de evitar procedimentos mais invasivos logo no início do tratamento.

De acordo com William Andrade, a rapidez no diagnóstico faz diferença direta no prognóstico dos pacientes.

“As hidrocefalias sempre chamam muito a atenção. É importante que as famílias tenham acesso a referências seguras e especializadas para esse tipo de tratamento”, afirma.

Hidrocefalia também afeta idosos e pode ser confundida com demência

Embora muito associada à infância, a hidrocefalia também pode atingir idosos. Dados apontam que o Brasil registra cerca de 50 mil casos de hidrocefalia de pressão normal, condição frequentemente subdiagnosticada e que pode ser confundida com outras doenças neurológicas.

Estudos indicam ainda que esse tipo de hidrocefalia pode representar até 5% dos casos de demência, sendo uma das poucas causas potencialmente reversíveis.

Dados mostram impacto da hidrocefalia no Brasil

Levantamento publicado pela Revista Neurociências, da UNIFESP, aponta que o Brasil registrou mais de 31 mil mortes relacionadas à hidrocefalia entre os anos de 2000 e 2021, evidenciando a relevância do tema na saúde pública.

O avanço de técnicas minimamente invasivas e a ampliação do acesso à neurocirurgia especializada têm sido apontados por especialistas como fatores importantes para melhorar os resultados clínicos e ampliar a qualidade de vida dos pacientes.

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