A campanha Maio Verde chama atenção para um dos principais riscos à saúde ocular: o glaucoma, condição que pode evoluir de forma silenciosa e levar à cegueira irreversível.
Considerada uma doença progressiva, o glaucoma exige diagnóstico precoce para evitar danos permanentes à visão. Na maioria dos casos, os sintomas aparecem apenas em estágios mais avançados.
Dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma indicam que cerca de 2,5 milhões de brasileiros acima dos 40 anos convivem com a doença, e aproximadamente 70% não sabem que têm o problema.
O tipo mais comum é o glaucoma crônico de ângulo aberto, responsável por até 90% dos casos. A condição costuma ser indolor e sem sinais evidentes, o que dificulta a identificação precoce.
Segundo o oftalmologista Michel Bittencourt, a doença pode avançar sem que o paciente perceba.
“Em muitos casos, a pessoa perde uma parcela significativa da capacidade visual antes de notar qualquer alteração”, explica.
Quando surgem, os sinais do glaucoma podem incluir perda do campo visual periférico, visão embaçada e dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz.
Outros sintomas possíveis são dor ocular, dor de cabeça, visão de halos ao redor das luzes e, em casos mais graves, náuseas e vermelhidão nos olhos.
Essas manifestações costumam estar associadas a estágios mais avançados ou a formas agudas da doença.
O glaucoma está relacionado ao aumento da pressão dentro do olho, causado por alterações na drenagem do humor aquoso, líquido responsável por nutrir estruturas oculares.
Esse aumento da pressão pode danificar o nervo óptico, comprometendo a transmissão das imagens ao cérebro e levando à perda progressiva da visão.
Entre os fatores de risco estão histórico familiar, idade acima de 55 anos, miopia elevada, uso prolongado de corticoides e doenças como diabetes e hipertensão.
De acordo com especialistas, existem diferentes tipos da doença.
O glaucoma primário de ângulo aberto é o mais frequente e evolui de forma lenta. Já o glaucoma de ângulo fechado pode provocar aumento súbito da pressão ocular e é considerado uma emergência médica.
Há ainda o glaucoma secundário, que pode estar associado a outras condições de saúde ou traumas.
O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir procedimentos a laser, uso de colírios e, em alguns casos, cirurgia.
Entre as técnicas utilizadas está a trabeculoplastia seletiva a laser, que ajuda a melhorar a drenagem do líquido ocular e reduzir a pressão intraocular.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a principal forma de evitar a progressão da doença é a realização de exames oftalmológicos regulares.
O acompanhamento permite identificar o problema ainda no início e iniciar o tratamento adequado antes que ocorram perdas visuais permanentes.
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