A valorização do bezerro no mercado brasileiro vem mudando a estratégia das fazendas de recria e engorda em diferentes regiões do país. Com o principal custo da operação cada vez mais elevado, produtores passaram a depender de eficiência produtiva, controle financeiro e aumento da produtividade por hectare para manter a rentabilidade da atividade.
Segundo o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o atual cenário da pecuária exige uma mudança na gestão das propriedades rurais.
“Hoje o produtor não consegue mais depender apenas da valorização da arroba. O foco passou a ser produzir arrobas com máxima eficiência, reduzindo desperdícios, acelerando ganho de peso e aumentando o giro dos animais dentro da fazenda”, afirma.
Com o avanço do preço da reposição, a escolha dos animais passou a ser considerada um dos pontos mais estratégicos da operação pecuária.
De acordo com Fernando Carlos, além do valor de compra, produtores precisam analisar fatores como genética, desempenho, uniformidade do lote e potencial de ganho de peso dos animais.
“Muitos pecuaristas ainda olham apenas o preço de compra. Mas um animal barato, com baixo desempenho ou atraso no desenvolvimento, acaba custando mais caro no final do ciclo. Hoje o indicador mais importante é o custo da arroba produzida”, explica.
A intensificação dos sistemas produtivos também vem se tornando uma das principais alternativas para aumentar a eficiência dentro das fazendas.
Entre as estratégias mais utilizadas estão manejo adequado das pastagens, correção de solo, adubação, suplementação nutricional e aumento da produção de arrobas por hectare.
Outro movimento observado nas propriedades mais tecnificadas é a redução da idade de abate. Sistemas como semiconfinamento, TIP (Terminação Intensiva a Pasto) e confinamento estratégico passaram a ser adotados para acelerar a terminação dos animais.
“Quanto mais tempo o animal fica na fazenda, maior é o custo financeiro, o consumo de pasto e o risco de mercado. Por isso, muitas operações eficientes trabalham hoje com abate entre 20 e 24 meses e altas taxas de ganho diário”, destaca.
Além da produtividade, o controle financeiro passou a ser considerado indispensável para preservar margens em um cenário de custos elevados.
Indicadores como ganho médio diário, lotação por hectare, conversão alimentar, custo da diária animal e margem líquida da operação passaram a integrar o acompanhamento das fazendas mais eficientes.
Fernando Carlos também destaca o crescimento do uso de ferramentas de proteção de margem, como contratos a termo, mercado futuro e travas de insumos e arroba.
“Os sistemas que mais sofrem neste cenário são aqueles com baixa produtividade, pastagens degradadas e ausência de gestão de custos. Já as fazendas intensificadas, com maior controle de dados e foco em produtividade, conseguem atravessar melhor os ciclos de alta do bezerro”, conclui.
Entre as estratégias mais adotadas atualmente nas propriedades consideradas eficientes estão recria acelerada, suplementação estratégica, terminação intensiva de curta duração, alto giro de animais e monitoramento constante dos indicadores zootécnicos e financeiros.
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