A proximidade da Copa do Mundo deve movimentar o mercado da carne bovina no Brasil e contribuir para a manutenção dos preços da arroba do boi gordo ao longo do segundo semestre. A avaliação é do zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, que vê no aumento do consumo interno um fator importante para o comportamento do setor nos próximos meses.
Atualmente, a arroba do boi gordo é negociada em torno de R$ 350 no mercado brasileiro. Segundo o especialista, o torneio esportivo, marcado para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho, tradicionalmente gera um aumento na procura por proteínas, especialmente devido às confraternizações e encontros para acompanhar os jogos.
De acordo com Fabiano Tavares, a Copa do Mundo historicamente provoca mudanças no comportamento dos consumidores e impacta diretamente diversos setores da economia.
“Historicamente, a Copa do Mundo impacta diretamente o consumo de proteínas no Brasil. Estudos de mercado já indicam um aumento médio de até 10% na procura por carnes durante esse período, principalmente em função de confraternizações, bares, restaurantes e encontros familiares para assistir aos jogos”, explica.
O especialista ressalta que esse aumento na demanda costuma beneficiar toda a cadeia produtiva da carne bovina, contribuindo para maior estabilidade nos preços.
Segundo o consultor, a análise dos ciclos anteriores mostra que grandes eventos esportivos costumam favorecer o mercado pecuário, especialmente quando coincidem com momentos de maior circulação de renda e aquecimento econômico.
“Quando analisamos o histórico da arroba em anos de Copa do Mundo, percebemos uma tendência de valorização no segundo semestre, especialmente quando o evento coincide com períodos de maior circulação econômica e aquecimento do consumo interno”, afirma.
A expectativa é que o consumo doméstico tenha papel relevante na sustentação do mercado nos próximos meses.
Além da movimentação interna, o setor segue atento ao desempenho das exportações brasileiras para a China, principal compradora da carne bovina produzida no país.
Nos últimos meses, o mercado tem observado sinais de desaceleração na demanda chinesa, fator que pode aumentar a oferta disponível para o consumo interno.
Mesmo assim, Fabiano Tavares acredita que a força do mercado brasileiro pode ajudar a compensar parte desse cenário.
“A demanda chinesa continua sendo determinante para o mercado, mas o Brasil tem uma força importante no consumo interno, principalmente em momentos de grande apelo popular como a Copa do Mundo. Isso pode ajudar a equilibrar os preços e reduzir movimentos mais bruscos de queda na arroba”, conclui.
Com a combinação entre o aumento sazonal da demanda durante a Copa do Mundo e a relevância do mercado consumidor brasileiro, a expectativa é de um cenário mais equilibrado para a pecuária nacional.
O comportamento do consumo interno deverá ser um dos principais fatores observados por produtores, frigoríficos e investidores ao longo do segundo semestre, influenciando diretamente a formação dos preços da arroba e o desempenho do setor pecuário.
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