Sexta, 12 de Junho de 2026
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Psicologia da Dor ganha espaço no Brasil e amplia debate sobre tratamento da dor crônica

Especialistas defendem abordagem multidisciplinar para pacientes com fibromialgia, dores persistentes e síndromes dolorosas complexas

01/06/2026 20h58
Por: Redação
Psicologia da Dor ganha espaço no Brasil e amplia debate sobre tratamento da dor crônica

A dor crônica tem ocupado cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde pública, saúde mental e qualidade de vida. Com o aumento dos diagnósticos de fibromialgia, dores musculoesqueléticas persistentes, cefaleias crônicas e outras síndromes dolorosas, cresce também a preocupação com a formação dos profissionais que atuam no atendimento desses pacientes.

Estimativas apontam que mais de 60 milhões de brasileiros convivem atualmente com algum tipo de dor crônica. A condição costuma estar associada a quadros de ansiedade, depressão, insônia, afastamento do trabalho e dificuldades nos relacionamentos sociais.

Apesar da alta incidência, especialistas avaliam que a formação tradicional na área da saúde ainda apresenta desafios quando o assunto é compreender a dor como uma experiência que envolve múltiplos fatores físicos, emocionais e sociais.

Psicologia da Dor propõe olhar além dos sintomas físicos

Nesse contexto, a Psicologia da Dor vem ganhando destaque no Brasil. A área busca compreender os impactos emocionais, comportamentais e sociais envolvidos na experiência dolorosa, ampliando as possibilidades de cuidado para pacientes com dor persistente.

A proposta é integrar diferentes estratégias terapêuticas e considerar não apenas os sintomas físicos, mas também os fatores que influenciam a forma como cada pessoa vivencia a dor.

O tema será debatido durante o Seminário Avançado em Dor Crônica e Fibromialgia, que será realizado nos dias 1º, 2 e 3 de junho, em formato online e gratuito. O evento é voltado para psicólogas e profissionais interessados em aprofundar conhecimentos sobre o manejo clínico da dor crônica.

Seminário discutirá fibromialgia e manejo clínico da dor

A iniciativa será conduzida pela psicóloga Jordana Ribeiro, mestre em Psicologia Clínica e da Saúde e pesquisadora da área.

Segundo a especialista, ainda existe a percepção de que a dor crônica deve ser tratada apenas por meio de intervenções médicas, o que pode limitar as possibilidades terapêuticas disponíveis aos pacientes.

“A dor é uma experiência complexa, influenciada por fatores neurológicos, emocionais, comportamentais e sociais. Quando o tratamento considera apenas uma dessas dimensões, muitas oportunidades de cuidado acabam sendo negligenciadas”, afirma.

Fibromialgia exige abordagem integrada no tratamento

De acordo com Jordana Ribeiro, pacientes com fibromialgia frequentemente enfrentam uma longa jornada em busca de diagnóstico e tratamentos eficazes.

Em muitos casos, chegam aos consultórios após anos convivendo com dores constantes, limitações funcionais e desgaste emocional.

“Recebi uma paciente que convivia com fibromialgia havia mais de quinze anos. Ela me disse que aquela seria sua última tentativa de tratamento. Meses depois, conseguiu retomar atividades que havia abandonado, voltou ao trabalho e recuperou parte da autonomia perdida. Casos como esse mostram como a psicologia pode contribuir de forma significativa no tratamento da dor”, relata.

A experiência clínica da profissional levou ao desenvolvimento de uma metodologia voltada ao atendimento de pacientes com dor crônica e, posteriormente, à criação de uma pós-graduação específica em Dor Crônica e Fibromialgia direcionada à psicologia.

Neurociência e saúde mental estarão em pauta

Durante o seminário, serão abordados temas como neurociência da dor, psicossomática, raciocínio clínico estruturado, contexto biopsicossocial e estratégias terapêuticas aplicadas a casos considerados complexos.

O encontro também pretende ampliar a discussão sobre a importância da participação da psicologia nas equipes multidisciplinares que atuam com pacientes em sofrimento crônico.

Para especialistas, o avanço da Psicologia da Dor representa uma resposta à crescente demanda por tratamentos mais integrados e humanizados, contribuindo para que pacientes com dor persistente tenham acesso a abordagens mais completas e eficazes.

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